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Desculpa Cazuza

Mas não quero um amor inventado, quero algo bem realista, com brigas cotidianas, com sexo de reconciliação, quero ele e eu e mais nada, sem nenhum nos pés de ninguém, quero exagero sim, nos beijos, nos abraços, no para sempre de um eternidade, não quero final feliz, não quero final. Quero todas as estrelas e a lua para nos iluminar, mas tudo que se inventa se faz de todo mundo e eu além de exagerada também sou egoísta, pelo menos quando o assunto é você.

secretaria-da-morte

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hora dos ousados.
dos insones.
dos suicidas.
dos apaixonados.
dos depressivos.
dos nostálgicos.
dos fodidos.

Como dizia o poeta
Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não.”
Vinicius de Moraes

tem um filtro de barro pingando aqui. não há metáforas. há um filtro de barro pingando plim plim plim plim e isso não me permite pensar em outra coisa que não seja: você não merece meus transtornos obsessivos compulsivos em fechar a porta vinte vezes e abrir apenas uma. agora entende porque não vou a médicos, pois eles vão falar o que eu e você já sabemos. esse vício amedicável em solidão que libera toxinas irreversíveis. (tinha uma porção de dejetos pra te confessar, mas entre algum ponto e vírgula tudo se excluiu e agora estou erroneamente tentando ajeitar pra que fique ao menos comestível em seu cérebro com paladar azedo pras minhas mazelas.) você não merece que eu xingue até sua vigésima geração porque telefono e vai pra caixa bostal, então minhas não-palavras permanecem boiando nos seus olhos que não vejo chorar. eu também não atenderia. porque obama liga pra israel. o comitê da ONU liga pra israel. e nada acontece. e eu apareço na tela do seu celular e aí seu dedo toca a bola verde teletransportadora de vozes. queria arranjar um jeito de te dizer sem que parecesse alguém contando a mãe da morte de um filho. exemplo horrível, tudo bem. eu não vou querer ter filhos, mas você sim, então eu tomo o cuidado já com tuas crias imaginárias esperando há mais de nove meses que eu volte. só que não vou voltar da forma que quer. minha língua trava porque seu coração e barriga apertam e você acha que é saudade quando, na verdade, é falta. e não vou te explicar a diferença absurda e abismal entre ambos. demorariam horas. não porque é difícil explicar. estou deserdando palavras novamente. desculpa eu insistir em ser dupla e não par. ainda vou entrar no seu casamento. ainda vou comer torta no seu aniversário e lembrar em todos os outros que você odeia bolo. mas não vou te chamar pra assistir filmes que indiretamente gritam que o amor não basta. eu conheço seu poder sensitivo em adivinhar quase num saldo positivo o silêncio reticente que mora entre minha última costela e a sua. não merece que eu beba sua fluoxetina e não sonhe contigo. ou que na minha insônia regular eu pense na constituição a ser promulgada em estrelas semelhantes ao sol em meados de 2020, e nunca em você. não quero e não vou deformar seu amor perfeito que implora “não muda não muda não muda”. vejo sua evolução sentimental anexando sextos dedos em cada mão só pra não me deixar escapar. nessa seleção natural que te incentiva a ficar, eu perco feio. odeio Darwin. você não merece assistir meu fracasso em não ser eterna.

28/07/2014

g.f.c.

O ultimo homem na Terra sentou-se sozinho em um quarto. Houve uma batida na porta.”
A história de terror mais curta do mundo.

Eu sou a pessoa mais feliz do mundo.

e no criado-mudo, um pequeno bilhete advertia:não pise no meu coração